Responder de forma completa a uma questão como o que uma empresa valoriza em seus funcionários é sempre muito difícil, mas em minhas conversas com alguns empresários e gerentes alguns itens são sempre apontados.
Para ficar mais prático neste artigo, vou separar em três categorias, atitudes éticas, conhecimentos e habilidades específicos e atitudes empreendedoras.
Em primeiro lugar e como base de tudo não é colocada a experiência, como todos pensam. O que conta em primeiro lugar é a
lealdade. Leal é, para começar, quem cumpre as suas promessas, e entre outras definições, honesto, fiel, verdadeiro e que está em conformidade com a lei, e neste caso podemos estender o conceito de lei para todas as normas e padrões estabelecidos pela organização.
Junto com a lealdade, deve se manifestar o
comprometimento. Todo mundo fala nele, mas às vezes é um ilustre desconhecido. Comprometimento vem de compromisso, e este tem a ver com união de interesses, colaboração com as obras objetivadas e responsabilidade pela sua parte no todo. Uma pessoa que está comprometida pensa em si, e em sua inserção no todo que participa, como uma engrenagem fundamental, embora não insubstituível, enquanto quem não está comprometido pensa apenas na recompensa ou no castigo imediatista do hoje.
Não poderiam deixar de figurar dois itens muito importantes da vida profissional: a qualificação e a experiência. Muitas pessoas se preocupam em quantificar até que grau de instrução cursou ou o número de cursos que fez, quando na verdade o número enorme de cursos no currículo nem sempre é determinante na bagagem do profissional, mas deveríamos pensar em seu aproveitamento. Aproveitamento da qualificação não é apenas obter notas acima de 7, 8, 9 ou qualquer outro número e sim o indivíduo conseguir estabelecer os vínculos do conhecimento com a realidade prática na sua vida. Isto, sim, é diferencial, porque boas notas, qualquer indivíduo que tenha tempo de estudar consegue. Por este motivo, considero que se tivesse que optar entre avaliar os dados de formação de um currículo, ou aplicar uma prova, eu preferiria a segunda opção sempre.
Chegamos ao ponto que é quase um tabu para empregados e empregadores:
a experiência. Mutias vezes, empregadores exigem muita experiência formal e empregados ficam com medo ou se sentem excluídos com tais exigências. Vejamos: experiência é a maneira que o indivíduo se relaciona com o mundo. No mundo do trabalho, é a realização material da pessoa em suas obras. Como em toda relação, existe uma troca. O indivíduo doa aquilo que sabe nesta realização e adquire meios de realizar seu trabalho de forma mais fácil, rápida e segura. Naturalmente, quanto maior a experiência, maior a responsabilidade que o trabalhador tem sobre o que faz.
Seguindo o mesmo raciocínio da qualificação, a experiência só é um indicador válido de maturidade profissional se ela foi bem aproveitada na construção contínua de um profissional sempre melhor. Ao longo do tempo, vi muitos casos de pessoas que chegam em um determinado ponto de suas carreiras e consideram saber tudo ao ponto de estarem fazendo um favor à empresa por existir, estagnando seu progresso escondendo-se em um frágil castelo de cristal. Será que a experiência é apenas uma contagem de tempo que não diz mais nada além disto?
Servindo de cimento às qualidades anteriores, podemos somar a iniciativa, que podemos definir como a adesão voluntária do profissional à identidade do negócio, sua visão, missão e valores. Estando neste estado de consciência, o indivíduo não precisa ser pensado, mandado, proibido nem vigiado. Ele sabe o que tem que ser feito e simplesmente faz de forma cada vez melhor porque ele se sente responsável e criador sobre o seu trabalho.
De uma forma geral, as empresas necessitam de pessoas de estilo GTD (do inglês Getting This Done, referência ao livro A arte de fazer acontecer de David Allen). GTD significa fazer acontecer. O mercado precisa de pessoas que fazem o sucesso acontecer e não ficam esperando sentados sonhando ou pior, reclamando.